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Medidor LCR: tipos, preços e como escolher a ponte certa

Compilado e verificado a partir das fontes citadas, revisado pela nossa equipe editorial.

No Brasil, um aparelho que promete medir indutância, capacitância e resistência custa R$ 74,90 na forma de um módulo com soquete ZIF e passa de R$ 4.000 na forma de uma ponte de bancada. Os dois mostram µH, nF e ohms no visor. A diferença de mais de cinquenta vezes não está na lista de grandezas.

Três decisões técnicas explicam quase todo esse intervalo:

  • O conjunto de frequências de teste — se o aparelho mede só em 1 kHz, ou se oferece 100 Hz, 120 Hz, 1 kHz, 10 kHz e 100 kHz. Sem a frequência certa, o número no visor não corresponde ao que está escrito no datasheet do componente.
  • Duas pontas ou quatro fios Kelvin — em ESR e em resistências baixas, a resistência do próprio cabo pode ser tão grande quanto o valor medido.
  • A exatidão básica — ±2% em um capacímetro popular, ±0,5% em uma ponte de mão profissional, ±0,1% em bancada.

Nenhuma delas aparece na foto do anúncio. Todas aparecem na nota fiscal.

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Preços de setembro de 2026, coletados em Baú da Eletrônica, Instrutherm, Politerm, Ferramentas Gerais, Mult Comercial, Saravati, Eletrogate e Usinainfo. São preços de referência: mudam com promoção, estoque, frete e forma de pagamento (PIX e boleto costumam ter 10% de desconto).

🧪 Resumo
Testador de componentesR$ 75-150, triagem, não é medidor LCR
Capacímetro simplesR$ 278-296, uma frequência fixa
LCR de mão de entradaR$ 466-630, 100 Hz e 1 kHz
LCR de mão profissionalR$ 1.100-2.610, D, Q, série/paralelo
Ponte LCR de bancadaR$ 2.035-4.290, até 100 kHz
O que ninguém confereFrequência de teste e garras Kelvin
Regra de ouroComponente fora da placa e descarregado
Marcas nacionaisMinipa, Hikari, Instrutherm, Politerm, Icel
CalibraçãoCertificado RBC rastreável ao Inmetro

O que é um medidor LCR e por que o multímetro não substitui

O nome vem dos três símbolos: L de indutância, C de capacitância e R de resistência. No Brasil o aparelho é vendido com dois nomes que significam a mesma coisa — medidor LCR e ponte LCR (ou ponte RLC, como a Politerm escreve nos seus modelos). O termo “ponte” é herança dos instrumentos analógicos de comparação, tipo ponte de Wheatstone, em que o operador girava um dial até o galvanômetro zerar. Os aparelhos digitais de hoje não têm ponte nenhuma por dentro, mas o nome ficou.

A diferença para o multímetro não é o número de grandezas. É o método.

O multímetro mede capacitância por tempo de carga em corrente contínua. Ele injeta uma corrente conhecida, cronometra quanto o capacitor demora para atingir certa tensão e devolve um único número em µF. É rápido, é barato e é suficiente para saber se um capacitor de partida de motor ainda tem os 40 µF impressos na carcaça.

O medidor LCR aplica um sinal alternado em uma frequência conhecida. Ele mede a amplitude da tensão e da corrente e, principalmente, o ângulo de fase entre elas. Desses três dados sai a impedância complexa do componente — e da impedância saem, por cálculo, todos os outros parâmetros[1].

SiglaNomeO que diz na prática
LIndutância (H, mH, µH)Quantos espirais efetivos a bobina tem
CCapacitância (F, µF, nF, pF)Quanta carga o componente armazena
RResistência (Ω)Oposição em corrente contínua
ZImpedância (Ω)Oposição total em corrente alternada, naquela frequência
ESRResistência série equivalente (Ω, mΩ)A perda resistiva escondida dentro do capacitor
DFator de dissipação (tan δ)Quanto o componente desperdiça, em relação ao que armazena
QFator de qualidadeO inverso de D; usado em bobinas e ressonadores
θÂngulo de fase (graus)O quanto o componente é reativo e o quanto é resistivo

Aqui está o motivo pelo qual um técnico de bancada precisa disso. Um capacitor eletrolítico com a capacitância certa pode estar completamente morto. O eletrólito seca com o calor e com as horas de uso; a capacitância cai devagar, às vezes quase nada, mas a ESR sobe em silêncio — de 30 mΩ para 2 Ω, por exemplo. O multímetro mede 470 µF, declara “está bom” e o técnico devolve a fonte chaveada com o mesmo defeito. É a ESR alta que faz a fonte esquentar, apitar, entrar em proteção e reiniciar, porque o capacitor de saída deixou de filtrar o ripple de alta frequência. Em manutenção de fonte de PC, fonte de TV, inversor, driver de LED e placa de máquina de lavar, ESR é o parâmetro que resolve o chamado, não a capacitância.

Duas regras que salvam o instrumento e a medição. Primeira: o medidor LCR não mede componente montado na placa. Tudo o que está em paralelo com a peça — outros capacitores, enrolamentos, junções de semicondutores, trilhas — entra na conta e o resultado não significa nada. É preciso dessoldar pelo menos uma perna. Segunda: capacitor carregado queima a entrada do aparelho. Um eletrolítico de 400 V de uma fonte chaveada guarda energia por minutos depois de desligada. Descarregue com um resistor de alguns kΩ e alguns watts (nunca com a chave de fenda em curto) e confirme com o multímetro antes de encostar as pontas do LCR.

Os 8 tipos de medidor LCR vendidos no Brasil

TipoPara que serveCaracterística que o defineFaixa de preço
Capacímetro / multímetro com escala LCRConferir valor nominal de peças grandesUma ou duas frequências fixas, sem D nem QR$ 278-1.150
Testador de componentes (transistor tester)Identificar peça desconhecida e triarSoquete ZIF, mede sozinho, sem escolher nadaR$ 75-150
Pinça SMD (tweezer)Medir 0402, 0603 e 0805 direto na bancadaPontas em forma de pinça, medição com uma mãoR$ 150-400 (importado)
Medidor LCR de mão de entradaAssistência técnica, ensino, bancada básica100 Hz e 1 kHz, exatidão ~±0,8%R$ 466-630
Medidor LCR de mão avançadoBancada profissional e laboratório de campoDuplo display, D/Q/θ, série ou paraleloR$ 1.100-2.610
Ponte LCR de bancadaProdução, controle de qualidade, projetoAté 100 kHz, nível de teste ajustável, sortingR$ 2.035-4.290
Medidor de ESR dedicadoCaçar eletrolítico ruim em sérieSó ESR, geralmente em 100 kHz, leitura em mΩR$ 150-600
Analisador de impedânciaCaracterizar material, filtro, antenaVarredura de frequência, curva Z × fSob consulta (dezenas de milhares)

Não confunda testador de componentes com medidor LCR. Os módulos LCR-T4, LCR-T7, LCR-TC1 e similares — aqueles com soquete ZIF e tela pequena — são excelentes para o que fazem: você enfia uma peça sem marcação, aperta um botão e o aparelho descobre sozinho se é resistor, capacitor, diodo, MOSFET, TRIAC ou transistor, e ainda mostra pinagem, ganho e ESR aproximada. O que eles não fazem é medir na frequência que você escolher, com a exatidão declarada e com correção de cabo. A sigla “LCR” no nome do produto é marketing. Para triagem, valem cada centavo; para dizer se um indutor tem 47 µH ±5% em 100 kHz, não servem.

As 6 características que definem o preço

1. Quantidade e limite superior das frequências de teste. É o item que mais pesa. Um capacímetro trabalha em uma frequência fixa. Um LCR de entrada oferece 100 Hz e 1 kHz. Um profissional acrescenta 10 kHz. Uma ponte de bancada chega a 100 kHz — e o salto de 10 kHz para 100 kHz costuma dobrar o preço, porque exige oscilador e front-end muito melhores.

2. Duas pontas ou quatro fios (Kelvin). Na medição a dois fios, a resistência dos cabos e dos contatos entra somada ao componente. Um par de pontas comum tem algo entre 50 mΩ e 200 mΩ. Se você está medindo a ESR de um eletrolítico de boa qualidade, que fica em 20-50 mΩ, o erro é maior do que a grandeza. As garras Kelvin separam o par que injeta corrente do par que lê tensão, e o cabo some da conta. Por isso todo aparelho sério traz quatro terminais na frente.

3. Exatidão básica. ±2% a ±2,5% na faixa dos capacímetros e dos multímetros com escala LCR; ±0,8% nos LCR de mão de entrada; ±0,5% nos profissionais; ±0,1% ou melhor nas pontes de bancada. Lembre que a exatidão é sempre ”±(x% da leitura + n dígitos)” e que ela vale só na parte central da escala.

4. O menor valor que ele consegue medir. Um capacímetro comum começa em 200 pF ou 2 nF. Para medir um capacitor cerâmico de 10 pF, um trimmer, ou a capacitância parasita de um cabo, é preciso resolução de 0,1 pF — e isso só existe em quem mede em 10 kHz ou 100 kHz. O mesmo vale para o outro lado: indutores de µH exigem frequência alta para gerar impedância mensurável.

5. Ajuste do nível de teste. Aparelhos baratos aplicam um sinal fixo, algo como 150 mV. Componentes com material ferromagnético (indutores com núcleo) e cerâmicos classe II mudam de valor conforme a tensão aplicada. Se o datasheet diz “medido com 1 Vrms”, só um aparelho com nível ajustável reproduz o número.

6. Recursos extras. Resistência em corrente contínua (DCR) separada da impedância, função de sorting/bin para separar lotes por tolerância, saída USB ou RS-232 para registrar em planilha, comparador, e — em modelos de bancada voltados a transformadores — medição de relação de espiras. Cada item desses aparece na etiqueta.

Modelos e preços reais no Brasil

Até R$ 300: triagem e valor nominal

ModeloLojaPreço
Testador de componentes LCR-T4 (HW-308)SaravatiR$ 74,90
Medidor de ESR / testador LCR-T4 com case e manualUsinainfoR$ 124,12
Módulo testador de componentes / medidor ESR LCR-T4EletrogateR$ 149,90
Capacímetro digital Hikari HCP-200Baú da EletrônicaR$ 278,46
Capacímetro digital Minipa MC-154AFerramentas GeraisR$ 289,99
Capacímetro digital Minipa MC-154ABaú da EletrônicaR$ 295,38

Nesta faixa você compra confirmação de valor, não medição de qualidade. O LCR-T4 vale muito para quem tem gaveta cheia de peça sem marcação; o capacímetro vale para quem troca capacitor de partida, de ventilador de teto e de bomba d’água.

De R$ 400 a R$ 1.200: o LCR de mão de assistência técnica

ModeloLojaPreço
Medidor LCR Minipa MC-155Baú da EletrônicaR$ 465,97
Medidor de LCR digital portátil Instrutherm RLC-820InstruthermR$ 572,16
Medidor LCR Minipa MC-155Mult ComercialR$ 630,00
Medidor LCR Hikari HX-110Baú da EletrônicaR$ 1.099,93
Medidor LCR Hikari HX-110Mult ComercialR$ 1.152,80

Repare em uma armadilha desta faixa. O Instrutherm RLC-820 e o Hikari HX-110 são, na ficha técnica, multímetros digitais completos que ganharam escalas de L e de C. O HX-110 é CAT IV 600 V, com 6.000 contagens, corrente, temperatura e duty cycle; o RLC-820 mede tensão, corrente, temperatura por termopar e transistor, com exatidão de ±(2,5% + 3 dígitos) em capacitância e indutância[2]. São ótimos instrumentos de campo — mas não têm seleção de frequência, não mostram D nem Q e não escolhem modelo série ou paralelo. Se o seu problema é ESR de eletrolítico, eles não resolvem.

O Minipa MC-155, mais barato, é mais “LCR” do que os dois: trabalha em 1 kHz para 2 nF a 2 µF e em 100 Hz para 20 µF a 200 µF, com faixas de indutância de 2 mH a 20 H e exatidão de ±(0,8% + 1 dígito) em resistência[3]. As frequências são automáticas, presas à escala — você não escolhe.

Acima de R$ 1.700: quem escolhe frequência e modelo

ModeloLojaPreço
Medidor LCR Hikari HX-120Baú da EletrônicaR$ 1.788,90
Ponte de RLC Politerm POL-42PolitermR$ 2.035,00
Ponte LCR portátil com interface USB Minipa MX-1050Baú da EletrônicaR$ 2.602,07
Ponte digital de bancada 100 kHz Politerm POL-42XPolitermR$ 4.290,00

O Hikari HX-120 traz display duplo — 19.999 contagens no principal, 9.999 no secundário — seleção automática entre L, C e R e, o que importa de verdade, modo série ou paralelo selecionável. O Minipa MX-1050 é o degrau seguinte: cinco frequências (100 Hz, 120 Hz, 1 kHz, 10 kHz e 100 kHz), exatidão básica de ±0,5% na parte central das escalas e interface USB para registro. A Politerm POL-42X é bancada de verdade, com 100 kHz e alimentação pela rede.

Um aviso sobre o Minipa MX-1010, muito citado em fóruns: ele é a geração anterior, com 120 Hz e 1 kHz apenas e saída RS-232, e hoje aparece esgotado na maioria das lojas. Se você encontrar um usado barato, sabe o que está levando — mas não pague preço de MX-1050 por ele.

A frequência de teste é a escolha que mais muda o resultado

Este é o ponto que separa quem usa o aparelho de quem só aperta o botão. Um mesmo capacitor dá números diferentes em frequências diferentes, e os dois estão certos. O datasheet do fabricante sempre diz em que frequência o valor foi especificado; medir fora dela é comparar coisas distintas.

Componente / parâmetroFrequência recomendadaPor quê
Capacitância de eletrolítico100 Hz ou 120 HzÉ a frequência em que o fabricante especifica; impedância baixa
ESR de eletrolítico10 kHz ou 100 kHzÉ onde o ripple da fonte chaveada realmente circula
Cerâmico e poliéster (nF)1 kHzPadrão de catálogo para a faixa de nanofarads
Capacitor pequeno (pF)10 kHz ou 100 kHzEm 1 kHz a impedância é alta demais para ser medida com resolução
Indutor de potência (mH)100 Hz a 1 kHzImpedância baixa; frequência alta satura e mascara o núcleo
Bobina de RF (µH)100 kHz ou maisPoucos µH não geram impedância mensurável em 1 kHz

A regra por trás da tabela é simples: componente de impedância alta (capacitância pequena, indutância grande) se mede em frequência alta; componente de impedância baixa (capacitância grande, indutância pequena) se mede em frequência baixa. O objetivo é sempre trazer a impedância do componente para a região central em que o instrumento é mais exato.

Modelo série ou paralelo: a chave que quase todo mundo ignora

O medidor LCR conhece a impedância complexa, mas precisa apresentá-la como um circuito de dois elementos: um resistor mais um capacitor (ou indutor). Ele pode desenhar esse par em série ou em paralelo — e os números resultantes são diferentes.

Impedância baixa pede modelo série. Em capacitores grandes e indutores pequenos, a perda dominante vem da resistência do enrolamento, dos terminais, do eletrólito e das soldas — perdas que fisicamente estão em série com o componente. Escolher Cs, Ls e Rs (a própria ESR) reproduz a realidade.

Impedância alta pede modelo paralelo. Em capacitores pequenos e indutores grandes, a perda dominante é a fuga pelo dielétrico e a resistência de isolação, que fisicamente estão em paralelo. Cp, Lp e Rp descrevem melhor a peça.

Os fabricantes de instrumentos usam limiares práticos: abaixo de cerca de 100 Ω, série; acima de cerca de 10 kΩ, paralelo. Entre 100 Ω e 10 kΩ a diferença é pequena e a recomendação é seguir o que o fabricante do componente indicar[4]. Regra prática de bancada: se você vai comparar com um datasheet, use o modelo que o datasheet usou.

Como medir passo a passo

  1. Tire o componente do circuito e descarregue. Pelo menos uma perna dessoldada. Capacitor de fonte: resistor de descarga e confirmação no multímetro antes de tocar.
  2. Escolha o parâmetro. L, C, R ou Z. Nos aparelhos com AUTO, confira o que ele decidiu — em peças com defeito o automático erra com frequência.
  3. Escolha a frequência de teste. Use a da tabela acima ou a que estiver no datasheet. Esta é a decisão que mais muda o número.
  4. Escolha o modelo série ou paralelo. Série para impedância baixa, paralelo para impedância alta, e o modelo do datasheet quando houver comparação.
  5. Faça a calibração OPEN e SHORT. Com as pontas separadas no ar, execute OPEN; com as pontas em curto, execute SHORT. Sem isso, leituras de pF e de µH já nascem erradas, porque a capacitância parasita e a resistência dos cabos entram na conta. Repita sempre que trocar de cabo, de garra ou de frequência.
  6. Use garras Kelvin de quatro fios em tudo que for ESR, resistência baixa e indutância pequena. Com duas pontas, o cabo é parte da medição.
  7. Não segure o componente com os dedos e fixe as pontas. A capacitância do corpo humano perturba leituras em pF, e um contato oscilante gera valores que dançam no visor.

Os 6 erros mais comuns

  1. Medir com a peça na placa. É o erro campeão. O resultado inclui tudo o que está em paralelo e não serve nem para descartar defeito.
  2. Pular OPEN/SHORT. Um aparelho de R$ 2.600 sem calibração de cabo mede pior do que um de R$ 500 calibrado.
  3. Aceitar a frequência padrão. Medir ESR de eletrolítico em 1 kHz dá um número bonito e inútil; o datasheet fala de 100 kHz.
  4. Comparar capacitância medida em 1 kHz com o valor de catálogo especificado em 120 Hz — e concluir que o capacitor “perdeu valor” quando ele está perfeito.
  5. Confiar só na capacitância. O capacitor pode marcar 470 µF e ter 3 Ω de ESR. Está morto.
  6. Encostar as pontas em capacitor carregado. Além de queimar o fusível ou a entrada do aparelho, é risco de choque em circuitos de 400 V.

Qual aparelho para qual trabalho

TrabalhoAparelho indicadoFaixa de investimento
Identificar peça sem marcação na gavetaTestador de componentes LCR-T4 ou similarR$ 75-150
Trocar capacitor de partida de motor ou ventiladorCapacímetro digital (MC-154A, HCP-200)R$ 278-296
Consertar fonte chaveada e placa eletrônicaLCR de mão com ESR em 10/100 kHz ou medidor de ESR dedicadoR$ 466-2.610
Assistência técnica geral, uma ferramenta sóMultímetro com escala LCR (HX-110, RLC-820)R$ 572-1.153
Enrolar e conferir bobinas e transformadoresLCR com seleção de frequência e Q (HX-120, MX-1050)R$ 1.789-2.602
Selecionar lotes por tolerância na produçãoPonte de bancada com sorting (POL-42, POL-42X)R$ 2.035-4.290
Caracterizar filtro, antena ou materialAnalisador de impedânciaSob consulta

As marcas que realmente existem no mercado brasileiro

Minipa. A referência nacional em instrumentação eletrônica, com fábrica e assistência técnica no país. Cobre a escada inteira: capacímetro MC-154A, medidor LCR MC-155 e ponte LCR MX-1050. É a marca com maior chance de você achar peça de reposição e calibração perto de casa.

Hikari. Muito forte no varejo de eletrônica e material elétrico. O HX-110 é o híbrido multímetro-LCR e o HX-120 é uma ponte de mão de verdade, com modo série/paralelo. Boa relação entre preço e recursos.

Instrutherm. Fabricante e importadora de São Paulo, com laboratório de calibração próprio que emite certificado rastreável à RBC. Vende o RLC-820 e oferece o certificado como item opcional no mesmo pedido — conveniente para quem precisa de documento para auditoria.

Politerm. Especializada em instrumentos de bancada e em venda para licitações. As pontes POL-42 e POL-42X são as opções nacionais mais acessíveis quando você precisa de 100 kHz e alimentação pela rede.

Icel e Impac. Presentes nos catálogos de distribuidores de instrumentação, com linhas mais voltadas a elétrica geral; a oferta de LCR é fina e costuma circular por revendas e marketplaces, com disponibilidade irregular.

UNI-T, FNIRSI e B&K Precision. Existem no Brasil, mas de outra forma. UNI-T e FNIRSI chegam quase sempre por importação e marketplaces, com preço atraente e sem assistência técnica oficial no país — se queimar, virou lixo eletrônico. A B&K Precision aparece via importadores especializados, sempre “sob consulta”. Compre com essa consciência.

Nota para Portugal. Os nomes são os mesmos: “medidor LCR” e “ponte LCR”. O que muda é o elenco. Minipa, Hikari, Instrutherm, Politerm e Icel praticamente não existem por lá; o mercado é abastecido por lojas de eletrónica como a Castro Electrónica e a PTRobotics e pelos catálogos europeus (RS, Farnell), com marcas UNI-T, PeakTech, FNIRSI e a linha profissional habitual. A rastreabilidade metrológica também muda de sigla: em vez do Inmetro e da RBC, a referência é o IPQ — Instituto Português da Qualidade.

Certificado de calibração: quando faz diferença

Para bancada de assistência técnica, o certificado não é obrigatório — o que importa é o aparelho ser repetitivo e você conhecer os limites dele. Mas se o instrumento entra em processo de qualidade, em laudo, em licitação ou em auditoria ISO 9001, aí vale a pena o certificado de calibração rastreável à Rede Brasileira de Calibração (RBC), formada por laboratórios acreditados pelo Inmetro segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025[5]. Fabricantes como a Instrutherm vendem o serviço junto com o aparelho, com prazo típico de cinco dias úteis, e a recomendação usual é renovar a cada 12 meses.

Checklist antes de comprar

  1. Quantas frequências de teste, e quais? Se não estiver escrito no anúncio, procure no manual. Se não estiver no manual, é uma frequência só.
  2. A frequência que você precisa está na lista? 100 kHz para ESR e para peças de RF; 120 Hz para eletrolítico.
  3. Tem quatro terminais para garras Kelvin ou só duas pontas?
  4. Vem com garras Kelvin ou é acessório à parte que custa mais R$ 200?
  5. Tem calibração OPEN/SHORT acessível por botão?
  6. Exibe D, Q, θ e ESR, ou só L, C e R?
  7. Deixa escolher série ou paralelo, ou decide sozinho?
  8. Qual a exatidão básica e em que parte da escala ela vale?
  9. Qual o menor valor mensurável em pF e em µH — e a resolução em mΩ, se você caça ESR.
  10. Tem assistência técnica no Brasil e o fabricante oferece certificado de calibração RBC?

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre medidor LCR e ponte LCR? Nenhuma na prática. “Ponte” é herança dos instrumentos analógicos de comparação; hoje os dois nomes designam o mesmo aparelho digital, e “ponte RLC” é a mesma coisa com as letras trocadas.

Multímetro mede indutância e capacitância? Capacitância, quase todos medem, por tempo de carga em corrente contínua. Indutância, só alguns modelos híbridos como o Hikari HX-110 e o Instrutherm RLC-820. Nenhum multímetro mede ESR, D ou Q.

Vale a pena comprar um LCR-T4 de R$ 75? Vale, para o que ele faz: identificar peças sem marcação, ver pinagem e triar capacitores muito ruins. Não vale como medidor de precisão — ele não deixa escolher frequência nem corrigir os cabos.

Qual o melhor medidor LCR custo-benefício no Brasil? Para assistência técnica de placas, o Minipa MC-155 (a partir de R$ 465,97) resolve o básico; se o orçamento chega a R$ 1.800, o Hikari HX-120 já traz duplo display e modo série/paralelo, que é outro patamar.

Dá para medir capacitor sem tirar da placa? Não com medidor LCR. Tudo o que está em paralelo entra na medição. Existem medidores de ESR que aceitam teste no circuito porque usam sinal de baixa tensão, mas mesmo eles dão falso positivo em placas densas.

Por que meu capacitor mede valor certo e o aparelho ainda não funciona? Provavelmente a ESR subiu. O eletrólito secou, a capacitância se manteve e a resistência interna disparou. Meça ESR em 10 kHz ou 100 kHz e compare com o datasheet.

Qual frequência usar para medir capacitor eletrolítico? 100 Hz ou 120 Hz para a capacitância, porque é como o fabricante especifica; 10 kHz ou 100 kHz para a ESR, porque é onde o ripple da fonte circula.

O que é calibração OPEN/SHORT e por que ela é obrigatória? É a rotina que ensina o aparelho a descontar a capacitância parasita dos cabos (OPEN) e a resistência deles (SHORT). Sem ela, leituras em pF e em mΩ nascem erradas. Refaça sempre que trocar cabo, garra ou frequência.

Série ou paralelo: qual escolher? Série para impedância baixa (abaixo de ~100 Ω): capacitor grande, indutor pequeno. Paralelo para impedância alta (acima de ~10 kΩ): capacitor pequeno, indutor grande. Na dúvida, use o modelo do datasheet.

Preciso de garras Kelvin de quatro fios? Se você mede ESR, resistências de miliohms ou indutores de poucos µH, sim — a resistência do cabo pode ser maior que o valor medido. Para conferir capacitor de partida de 40 µF, não faz falta.

Onde comprar medidor LCR no Brasil? Lojas de componentes eletrônicos (Baú da Eletrônica, Saravati, Eletrogate, Usinainfo), distribuidores de instrumentação (Mult Comercial, Ferramentas Gerais) e diretamente com fabricantes como Instrutherm e Politerm.

Meu medidor LCR precisa de certificado de calibração? Para bancada, não. Para laudo, licitação, controle de qualidade ou auditoria ISO 9001, sim — procure certificado rastreável à RBC, emitido por laboratório acreditado pelo Inmetro.

Fontes

  1. HIOKI — How to Use an LCR Meter: Basic Knowledge. hioki.com
  2. HIOKI — Selecting the equivalent circuit mode of the LCR meter. hioki.com
  3. B&K Precision — LCR Meter Guide (PDF). bkprecision.com
  4. Minipa — MC-155, Medidores LCR (especificações do fabricante). minipa.com.br
  5. Instrutherm — Medidor de LCR Digital Portátil RLC-820 (especificações e certificado de calibração). instrutherm.com.br
  6. Inmetro — Rede Brasileira de Calibração (RBC). gov.br/inmetro
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