Saúde

Exame de fezes: como coletar a amostra corretamente

Compilado e verificado a partir das fontes citadas, revisado pela nossa equipe editorial. · Última atualização:

A parte difícil de um exame de fezes não acontece no laboratório, e sim no seu banheiro. Entregam um potinho de tampa rosqueável sem uma linha sequer de instrução e você fica ali, sem saber quanto colocar, se pode pegar do vaso sanitário e se a amostra da manhã ainda serve à noite.

Resposta curta: uma porção do tamanho de uma noz, mais ou menos uma colher de chá, enchendo cerca de um terço do pote. Nada mais pode entrar: nem urina, nem água do vaso, nem papel higiênico, nem sabão ou produto de limpeza. O pote não se enche até a boca, e a amostra deve chegar ao laboratório em uma a duas horas, se possível. Amostras que quebram essas quatro regras são recusadas ou geram um resultado em que ninguém pode confiar — nos dois casos, é refazer tudo.

Abaixo estão os passos da coleta, quanto cada exame pede, por quanto tempo a amostra realmente se conserva, como fazer com bebê, os prazos de resultado e o que os valores significam.

🧪 Resumo
QuantidadeUm terço do pote · tamanho de uma noz · ~1 colher de chá (5 g)
Se estiver líquida5-10 ml, sem passar de um terço
Nunca pode misturarUrina · água do vaso · papel · sabão · desinfetante
Prazo de entrega1-2 horas; fezes líquidas para parasitas, 30 minutos
Se atrasarGeladeira a +2/+8 °C — nunca o congelador
Em jejum?Não, coma normalmente
Intervalo após remédios7-10 dias após antibióticos · 2 semanas após bário
Rastreio do intestinoA partir dos 50 anos, teste a cada 2 anos

O que é, de fato, um exame de fezes

Fezes, cocô, matéria fecal: no pedido médico e no laudo aparecem nomes diferentes — exame parasitológico de fezes (EPF), coprocultura, coprológico, pesquisa de sangue oculto. O pedido, no entanto, é sempre o mesmo: evacuação recente coletada em um pote limpo e bem fechado.

O que muda bastante é o exame em si. “Exame de fezes” não é um teste único, e sim uma família de análises feitas a partir da mesma amostra — o preparo e a quantidade necessária dependem de qual deles o médico pediu. Vale conferir antes: uma amostra perfeita para coprocultura pode ser inútil para pesquisa de parasitas.

Quando o exame é pedido

  • Diarreia por mais de três dias ou que volta sempre
  • Sangue, muco ou pus visíveis nas fezes
  • Fezes pretas e pastosas ou, ao contrário, muito claras, cor de massa de vidraceiro
  • Dor abdominal, inchaço, excesso de gases, náusea persistente
  • Perda de peso sem explicação, cansaço, anemia detectada no sangue
  • Sintomas digestivos que começaram depois de uma viagem ou refeição coletiva
  • Em crianças: agitação noturna, coceira anal, pouco ganho de peso
  • Rastreio de câncer de intestino, mesmo sem nenhum sintoma

Os exames que saem de uma única amostra

ExameO que procuraSituação típica
Parasitológico / microscópicoParasitas, ovos, amebas, leucócitosDiarreia, cólicas, coceira
CoproculturaSalmonella, Shigella, Campylobacter, E. coliDiarreia com sangue ou febre, intoxicação alimentar
Sangue oculto nas fezes (FIT)Sangramento invisível a olho nuRastreio de intestino, anemia
Calprotectina fecalGrau de inflamação intestinalDiferenciar doença inflamatória de intestino irritável
Elastase fecal-1Produção de enzimas pelo pâncreasFezes gordurosas, que boiam, com odor forte
Gordura fecal (72 horas)Má absorçãoSuspeita de doença celíaca, pancreatite crônica
pH e substâncias redutorasMá digestão de açúcaresFezes espumosas e ácidas do lactente
Antígeno de rotavírus / adenovírusVírus causadores de diarreiaVômito e diarreia súbitos em crianças
Toxina de C. difficileColite após antibióticosDiarreia durante ou depois de antibiótico
Antígeno de H. pyloriBactéria do estômagoDor no estômago, controle de úlcera

Vários deles podem sair do mesmo pote, mas coprocultura, parasitológico e calprotectina exigem condições de conservação diferentes. Por isso às vezes entregam dois frascos — leia os rótulos, eles não são intercambiáveis.

Como coletar fezes passo a passo

  1. Passo 1
    Urine antes. Urina misturada é o motivo mais comum de recusa de uma amostra: dilui o material e atrapalha tanto o exame microscópico quanto a pesquisa de sangue.
  2. Passo 2
    Coloque algo no vaso para aparar. O jeito mais prático é esticar filme plástico por baixo da tampa, deixando uma leve depressão no meio. Também servem folha de jornal, um pote descartável limpo ou um coletor vendido em farmácia. O objetivo é que as fezes não encostem na água.
  3. Passo 3
    Calce luvas e deixe o pote pronto. Quase todo coletor universal traz uma pazinha presa à tampa — tire antes de começar.
  4. Passo 4
    Colete de vários pontos. Não uma pazada só do meio. Se alguma parte estiver com sangue, com muco, líquida ou de cor estranha, pegue um pouco dali também. Parasitas e bactérias não se distribuem por igual: o que o microscópio precisa encontrar pode estar justamente no trecho que você evitou.
  5. Passo 5
    Encha um terço. Uma noz, cerca de uma colher de chá. Se as fezes estiverem líquidas, 5-10 ml. Não encha até a boca: pote cheio demais vaza pela rosca, e pote que vaza é resíduo biológico, não amostra.
  6. Passo 6
    Feche bem e limpe por fora. Tire qualquer sujeira do frasco com papel úmido e coloque-o em um saco plástico.
  7. Passo 7
    Identifique. Nome completo, data de nascimento e data e hora da coleta. A hora importa: é com ela que o laboratório decide quais exames ainda são válidos naquela amostra.
  8. Passo 8
    Descarte o resto direito. Filme, papel e luvas em saco fechado, no lixo — nunca no vaso.
  9. Passo 9
    Lave as mãos com sabão por pelo menos 20 segundos. A maioria das infecções intestinais se transmite pela via fecal-oral; é desse passo que depende o resto da casa não pegar.
🚫

Nunca colete da água do vaso. Essa água dilui a amostra e traz amebas de vida livre e bactérias do ambiente que embaralham completamente o resultado. O mesmo vale para qualquer coisa com sabão ou água sanitária: resíduos de desinfetante matam exatamente as bactérias que a coprocultura tentaria fazer crescer, e o laudo volta falsamente limpo.

Quanto de fezes cada exame precisa

O tamanho do pote engana. Os coletores comuns têm 30-60 ml e nenhum exame pede que você os encha.

ExameQuantidadeObservação
Microscópico / parasitasTamanho de uma noz, ~1 colher de chá5-10 ml se líquida
CoproculturaDe avelã a nozCom meio de transporte, até o traço
Sangue oculto (kit FIT)Só as ranhuras da hasteNunca fezes soltas dentro do tubo
Calprotectina1-2 g (uma avelã)Alguns kits vêm com haste coletora
Gordura fecal (72 h)Todas as evacuações de 3 diasO laboratório fornece um pote grande
No bebêUma colher de chá da fraldaDa parte não absorvida pelo gel

A única exceção à regra do terço é a coleta de 72 horas, em que tudo o que for evacuado durante três dias é guardado refrigerado. E se o seu frasco tiver um traço de enchimento, esse traço vale mais do que qualquer regra geral.

Nos frascos com conservante (o líquido rosado dos kits de três amostras para parasitológico), a orientação muda: coloque fezes até o líquido subir até a marca, feche e agite conforme a instrução do fabricante — sem ultrapassar a marca.

O kit de sangue oculto funciona de outro jeito

O kit de rastreio do câncer de intestino não é pote com pazinha: é um tubo fino com líquido conservante e uma haste com sulcos presa à tampa.

  1. Colete as fezes sobre filme plástico ou em recipiente seco; não podem encostar na água.
  2. Espete a haste em três a seis pontos diferentes; basta preencher os sulcos, não passe como se fosse manteiga.
  3. Recoloque a haste no tubo e feche até ouvir o clique; o excesso é raspado na entrada.
  4. Vire o tubo algumas vezes para misturar e anote a data.

A grande vantagem: não exige dieta. Os testes antigos de guáiaco pediam três dias sem carne vermelha, rabanete, brócolis e vitamina C. O teste imunoquímico reage apenas à hemoglobina humana, então essas restrições acabaram.

⚠️

Adie a pesquisa de sangue oculto em três situações: durante a menstruação e nos três dias seguintes, com hemorroida sangrando ativamente e se houver sangue visível na urina. As três dão falso-positivo e levam a colonoscopias desnecessárias. Vale também o contrário: ter hemorroida não explica um resultado positivo. Positivo se investiga sempre.

Por quanto tempo a amostra se conserva?

A regra é simples: quanto mais fresca, melhor. Uma amostra que chega ao laboratório em uma ou duas horas serve para qualquer exame. Se não der, estes são os limites.

ExameEm temperatura ambienteNa geladeira (+2/+8 °C)
Parasitas em fezes líquidas (trofozoítos de ameba)30 minutosNão serve — leve agora
Parasitas em fezes moles1 horaSó no mesmo dia
Ovos de parasitas em fezes formadas2 horas24 horas
Coprocultura2 horas24 horas (mais com meio de transporte)
Tubo do sangue oculto24-72 horas conforme o fabricantePreferível no calor
Calprotectina2-4 horasAté 3 dias
❄️

Não coloque no congelador. Se houver pedido de cultura, o congelamento mata exatamente as bactérias que se quer fazer crescer e o laudo sai como falso "sem crescimento". Só se congela quando o laboratório manda explicitamente, em alguns painéis moleculares.

No transporte, coloque o frasco em um saco, não deixe no sol e nunca esqueça no carro estacionado. No verão o interior do veículo passa de 50 °C em uma hora — o bastante para alterar a flora bacteriana e degradar a dosagem de calprotectina.

Preparo: comida, jejum e medicamentos

Não é preciso estar em jejum. Isso não é exame de sangue; comer normalmente não muda nada. O que atrapalha de verdade:

  • Antibióticos: espere 7 a 10 dias após a última dose antes de coprocultura ou parasitológico. Sob antibiótico nada cresce: o laudo parece limpo e o problema continua.
  • Antiparasitários (metronidazol, albendazol e semelhantes): os mesmos 7 a 10 dias.
  • Exames com bário (enema opaco, trânsito): duas semanas. Os cristais de bário cobrem tudo no microscópio.
  • Protetores gástricos com bismuto, óleo mineral, laxantes, antidiarreicos: 7 a 10 dias.
  • Antiácidos: 3 a 7 dias.
  • Lavagens intestinais e soluções de preparo: não colete depois — fezes “lavadas” não servem nem para cultura nem para parasitas.

Conte ao médico que pediu o exame todos os remédios e suplementos que você usa. Se suspender for arriscado no seu caso, ele planeja de outro jeito: nunca interrompa por conta própria um tratamento prescrito.

Como coletar fezes de bebê e criança pequena

No lactente a amostra sai direto da fralda, mas três detalhes decidem se ela vai servir:

  • Sem mistura com urina. Colete do centro das fezes, não da área molhada, e confira a fralda com frequência para pegar material fresco.
  • Fuja do gel absorvente. As fraldas modernas puxam o líquido; quando as fezes líquidas já entraram no gel, parasitológico e pH ficam impossíveis. Se espera evacuação mole, coloque a fralda com a face plástica virada para a pele ou ponha um pedaço de filme plástico dentro.
  • O truque do filme — um quadrado do tamanho da palma da mão dentro da fralda — mantém a amostra limpa e preserva a quantidade.

Em crianças já sem fralda vale o método do adulto. Se usar penico, ele precisa ser lavado e bem enxaguado: resto de detergente inutiliza a amostra.

Havendo suspeita de oxiúros, o exame certo não é o de fezes e sim a fita gomada (método de Graham): fita adesiva transparente aplicada de manhã na região anal, antes do banho e antes de evacuar.

Quantas amostras são necessárias?

Uma costuma bastar — com três exceções.

  • Parasitológico: os parasitas são eliminados de forma intermitente, então uma amostra só passa longe deles com frequência. O padrão são três amostras em dias alternados dentro de 10 dias — é exatamente por isso que o laboratório entrega três frascos.
  • Gordura fecal: coleta completa de 72 horas mantendo dieta normal com cerca de 100 g de gordura por dia. Comer com pouca gordura durante a coleta faz um resultado alterado parecer normal.
  • Diarreia de viagem que não passa: como o agente aparece de forma intermitente, o médico pode pedir várias amostras ao longo de 7 a 10 dias.

Na suspeita de amebíase importa muito que a primeira amostra chegue fresca e ainda morna: a forma móvel (trofozoíto) se desfaz ao esfriar e sobram apenas cistos visíveis. Como essa infecção evolui e como é tratada está detalhado em sintomas e tratamento da disenteria amebiana.

Quando saem os resultados?

ExamePrazo
Exame microscópicoMesmo dia - 24 horas
Sangue oculto / FITMesmo dia - 24 horas
Calprotectina1-3 dias
Coprocultura48-72 horas (3-4 dias se crescer patógeno)
Antibiograma (cultura positiva)Mais um dia
Gordura fecal (72 h)2-3 dias após o fim da coleta
Antígeno de H. pylori1-2 dias

A cultura demora porque de fato se espera crescimento: a amostra é semeada em meios seletivos, incubada por cerca de 48 horas a 35-37 °C, e as colônias que aparecem são identificadas e, se necessário, testadas contra antibióticos. É essa a resposta para “por que meu resultado está demorando uma semana?”.

Como ler o laudo: valores normais

Os números abaixo são orientativos. Cada laboratório imprime o próprio valor de referência ao lado do seu resultado e é esse que vale.

ParâmetroNormalO que um valor alterado sugere
CorTons de marromPreta: sangramento digestivo alto · Cor de argila: obstrução biliar
ConsistênciaMacia e formadaLíquida: diarreia · Cíbalos duros: constipação
pH~6,0-7,9Abaixo de 5,5: má absorção de açúcares ou lactose
Sangue ocultoNegativoPositivo: existe um ponto sangrando — pede colonoscopia
LeucócitosAusentes ou rarosPresentes: infecção invasiva e inflamatória
Parasitas e ovosNão observadosObservados: parasitose
CulturaFlora normalCresceu patógeno: infecção bacteriana
CalprotectinaAbaixo de 50 µg/g50-150: limítrofe, repetir em 4-6 semanas · Acima de 150: inflamação ativa
Elastase fecal-1Acima de 200 µg/g100-200: insuficiência leve a moderada · Abaixo de 100: grave
Gordura fecal2-7 g/24 hAcima de 7 g: má absorção
Substâncias redutorasNegativasPositivas: má absorção de carboidratos

Um alerta que vale repetir: um único valor alterado não é diagnóstico. A calprotectina sobe também com uso frequente de anti-inflamatórios, e o sangue oculto pode positivar depois de sangue engolido em um sangramento nasal. O resultado é lido junto com sintomas, exame físico e os demais exames.

O que a cor e a consistência indicam

A consistência é classificada no mundo todo pela escala de Bristol: os tipos 1-2, duros e em bolinhas, indicam constipação; os tipos 3-4 são o ideal; os tipos 5-7, cada vez mais moles até líquidos, apontam trânsito acelerado ou diarreia. Se o laudo diz “tipo 6”, é dessa escala que se trata.

Sobre a cor:

  • Pretas e pastosas, tipo piche: possível sangramento no estômago ou intestino delgado — precisa de avaliação rápida. Sulfato ferroso, remédios com bismuto e grande quantidade de mirtilo também escurecem: diga o que está tomando.
  • Vermelho vivo: sangramento de cólon, reto ou hemorroida. Beterraba e suco de tomate imitam bem.
  • Muito claras, cor de massa de vidraceiro: a bile não chega ao intestino — suspeita de obstrução das vias biliares.
  • Amarelas, gordurosas, que boiam e com cheiro forte: a gordura não está sendo absorvida — doença celíaca, insuficiência pancreática, giardíase.
  • Verdes: quase sempre banal; trânsito rápido ou muita folha verde.
  • Com muco: irritação da mucosa intestinal, por inflamação ou infecção.

Rastreio do câncer de intestino: quem faz

Em Portugal, o rastreio organizado baseia-se na pesquisa de sangue oculto nas fezes para pessoas dos 50 aos 74 anos, com colonoscopia de confirmação nos casos positivos. No Brasil, a pesquisa de sangue oculto é recomendada a partir dos 50 anos, também com colonoscopia quando o resultado é positivo, e a idade de início vem sendo discutida para 45 anos, como já ocorre nos Estados Unidos.

Por que isso importa: o câncer de intestino pode passar anos como pólipo sem dar um único sintoma. O que o teste costuma flagrar não é o câncer, e sim um pólipo removido antes de virar um.

Em outros países os limites variam: a Inglaterra envia o kit pelo correio dos 50 aos 74 anos, a Alemanha oferece teste imunológico gratuito a cada dois anos a partir dos 50 e a França entrega o kit de graça nas farmácias.

Por que o resultado sai errado

Quando o laboratório pede nova amostra, ou o tratamento não resolve nada, quase sempre a causa é uma destas oito:

  1. Urina misturada à amostra
  2. Coleta feita da água do vaso
  3. Pote cheio até a boca, vazando
  4. Amostra que ficou horas em temperatura ambiente
  5. Cultura colhida durante uso de antibiótico
  6. Parasitológico feito logo após exame com bário
  7. Apenas uma amostra para pesquisa de parasitas
  8. Sangue oculto feito na menstruação ou com hemorroida sangrando

As oito acontecem na hora da coleta, ou seja, nas suas mãos. Ler essa lista no dia em que o pote chega em casa é o que evita refazer tudo.

Onde fazer e quanto custa

A coleta é feita em casa e o pote é entregue no laboratório ou na unidade de saúde indicada; o coletor universal também é vendido em farmácia. Com pedido médico, o exame é coberto pelo sistema público e pelos planos de saúde nas condições habituais. Em regime particular, os preços variam muito: um exame microscópico simples é barato, enquanto calprotectina e painéis moleculares ficam bem acima. Pergunte sempre qual exame exatamente foi pedido — sob o nome “exame de fezes” cabem análises com dez vezes de diferença de preço.

Perguntas frequentes

Precisa estar em jejum para o exame de fezes? Não. Coma normalmente. A única regra alimentar é a do exame de gordura de 72 horas, com a quantidade de gordura indicada pelo médico.

Quanto de fezes é preciso para o exame? Uma porção do tamanho de uma noz, cerca de uma colher de chá (5 g), ou 5-10 ml se estiverem líquidas. Não mais que um terço do pote.

Precisa encher o potinho todo? Não, pelo contrário. Pote cheio demais vaza pela rosca, suja por fora e pode ser recusado pelo laboratório.

Posso coletar na noite anterior? Para coprocultura e calprotectina normalmente sim, se guardado na geladeira a +2/+8 °C. Para parasitológico não: é preciso amostra fresca da manhã.

Dá para fazer o exame menstruada? Microscópico e coprocultura, sim. A pesquisa de sangue oculto deve esperar três dias após o fim do sangramento.

E se cair papel higiênico na amostra? As fibras atrapalham o exame microscópico e alguns papéis interferem na pesquisa de sangue: é preciso coletar de novo.

Os testes de farmácia são confiáveis? Os imunoquímicos são confiáveis quando usados corretamente, mas mostram apenas que existe sangramento. Resultado positivo vai sempre para o médico e é investigado com colonoscopia.

Quanto tempo demora o resultado? Microscópico e sangue oculto no mesmo dia, calprotectina em 1-3 dias, coprocultura em 48-72 horas e mais um dia se for preciso antibiograma.

Pode congelar a amostra de fezes? Para cultura, nunca: o congelamento mata as bactérias e produz falso-negativo. Só se congela por orientação expressa do laboratório.

Fontes

  1. NHS — How to collect a sample of poo (stool sample)
  2. Memorial Sloan Kettering Cancer Center — How to Collect a Stool Sample Using a Stool Collection Kit
  3. Nationwide Children’s Hospital — Stool Collection Guidelines
  4. Medscape — Stool Ova and Parasite Test: coleta e interpretação
  5. GE — Portuguese Journal of Gastroenterology — Rastreio do cancro colorretal em Portugal: análise de custo-utilidade

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Sangue visível nas fezes, diarreia por mais de três dias, dor abdominal com febre e perda de peso sem explicação exigem avaliação médica sem demora.

Categorias:Saúde

Artigos relacionados

Todos os guias de Saúde →

← Voltar para Saúde